porque somos mulheres.

Dia desses, a Kelly do Dupla em Crise twittou algo interessante, que nós mulheres tendemos a nos identificar com textos melosos e sofredores. E não é verdade? É muito. Respondi que há muito tempo atrás, um amigo meu já tinha dito isso: “Bê, convenhamos, mulher gosta de sofrer”. Pura verdade. Sei lá se é porque somos naturalmente emocionais, se é porque temos tpm, se somos sensíveis, sei lá.

Outro dia, vi um post sobre homens estarem mais grudentos e mulheres estarem mais “frias”. Isso, segundo o blogueiro, por causa do novo papel da mulher na sociedade. Trabalhamos tanto quanto eles, estudamos muito, ganhamos nosso dinheiro, competimos, malhamos, tudo igual. Muitas amigas minhas até passam na casa do namorado para buscá-los pro cinema ou jantar. Não é por acaso que estamos a cada dia mais indepentendes. Isso assusta um pouco os seres do sexo masculino, que estão mandando mais flores e bombons, mais mensagens bonitinhas, e-mails fofos e etc.

Com tantas mudanças, não seria lógico “superarmos” certos conceitos?  Se estamos mais idependentes, por que ainda ficamos encantadas com rosas, bilhetes e presentes?

Eu respondo. Porque somos mulheres. Porque sofremos e aprendemos. Amamos intensamente. Porque quando chegamos em casa cansadas, queremos mimo. Somos sensíveis e emocionais. É natural. E esse tipo de coisa vai além da teoria de Darwin e Freud não explica. Você simplesmente aceita.

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viajar é preciso.

Eu quero viajar. Largar minha vida e sair conhecendo os mais exóticos lugares, costumes e pessoas. Quero descobrir segredos, desvendar mistérios ou viver um amor impossível. Talvez vire uma mulher digna de filme antigo ou uma motoqueira que vive com a mochila nas costas. Tudo muito intenso.

No meu caminho não existem desafios: que venham selvas fechadas e tribos indígenas que nunca tiveram contato com o homem urbano (se é que ainda existe alguma). Paris, Nova Iorque e Londres podem ser o jardim da minha casa. Já pensou se encontro a minha irmã gêmea pelo mundo? Ou melhor, já imaginou um mundo com duas de mim?

Quero visitar museus. Roubar um banco e sair ilesa (se bem que se eu virar política, sair ilesa não será difícil). Quem sabe acordar na Espanha, dar um pulo em Portugal, almoçar na Itália, tomar um café na França, visitar a Alemanha e jantar no Egito.  Se o dia for de sol, visito todos os lugares históricos do mundo, mas se chover vou ao teatro. Passo dias inesquecíveis em Las Vegas e voo direto para a Nova Zelândia.

No meu mundo, homens sempre abrem a porta do carro, pagam a conta e beijam maravilhosamente bem. Meu cabelo nunca tem um dia ruim e roupas no armário são inesgotáveis. Minha casa é uma mansão imensa, cheia de pátios internos e piscinas térmicas. De uma hora para outra estou tomando um vinho de frente para a lareira no meu chalé. Basta um gesto mágico. Sou expert em artes marciais e danças orientais. Carreira? Completamente realizada. Na verdade, porderia exercer qualquer profissão. Sou ótima.

Agora você termina de ler, e pensa: “Impossível.” ou “Vai sonhando”. É quase um sonho mesmo. Afinal, com um livro você pode. E o melhor: você não gasta nada, só ganha. Então, que tal viajar com um livro hoje? Já pensou nisso?

;)

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espaços em branco.

Alguns dias são difíceis…

Não faltam ideias nem palavras, mas formas de conectar tudo. Estou eu aqui com pensamentos, chá, e um texto inteirinho esperando para ser construído. Em que lugar ele vai parar, sobre o que vou falar? Não sei, mas to tentando.

Espaços em branco são estimulantes, a gente completa como quiser. Palavras de alegria, de consolo, de conselho. Ou então palavras pesadas, mas essas não me agradam muito. Sou adepta das sutis, que mesmo parecendo leves e sem grande importância, te fazem pensar e ficam gravadas pra sempre.

Um texto novo pode ser esperança de começar denovo ou de mudar tudo. É como acordar em um dia e decidir fazer as coisas de um jeito diferente. Olhar alguém de uma forma diferente e ver o que normalmente você não vê. Ninguém conhece outra pessoa por completo. Pode até chegar perto disso, mas nem nós nos reconhecemos em algumas situações. Procure, você vai achar algo diferente. Só cuidado com o que procura, você pode achar.

Enfim, um espaço em branco é a liberdade de criar, de deixar a imaginação voar solta e descobrir um mundo novo de possibilidades. A mente não tem limites. Você não sabe do que é capaz. Eu não sei ainda de tudo o que sou capaz. E estou louca para descobrir, porque sei que é muito mais do que fiz, vivi, criei e recriei.

Um simples espaço em branco, na realidade, é tudo aquilo que você imaginar.

sem paixão eu nada seria.

Impressionante como um filme pode mexer com tudo o que tem dentro de uma criatura. Especialmente com as mulheres. Divã é o nome dessa reviravolta. Eu diria que uma hora e meia de terapia. Não, não pode ser terapia, foi mais eficiente.  Todos os meus piores pavores ligados ao futuro estiveram estampados ali, bem na minha frente, pra eu parar, olhar e dizer: “Sua burra. Tá vendo? Tá mesmo? Anda, dá um jeito da tua vida, larga mão de ser idiota. Fala. Fala o que tu sente, não é perder tempo, não é demais. Age. Faz o que te der vontade. O que te impede? O que os outros vão pensar? Tu nunca ligou, por que ligaria agora? Ah, porque te disseram pra ligar. Foda-se. É. Foda-se mesmo. Sim, eu falo palavrão. E daí? Não gostou? Troca. ” Tá, é um pensamento muito longo pra se ter de uma vez só e vendo filme. Mas pensei cada palavrinha escrita aí. Definitivamente, vi que aquela vidinha morninha, que nada acontece, de todo o dia a mesma coisa, o mesmo beijo, do mesmo jeito, a mesma posição dos móveis… gente, isso cansa! Não, não serve pra mim. Medo total. E o doido da história é perceber que eu tava começando a ir por aí. Pára tudo. Não dá. Não sou eu. Eu preciso de paixão. Paixão me move, paixão me inspira, me dá brilho, faz de mim quem sou. Talvez por isso meu mundo sentimental seja como é, que ninguém entende. Porque eu não sei manter nada sem paixão, perde a graça, sabe?  Porque sem paixão tudo acaba. Porque sem paixão, por mim mesma fico apaixonada. E isso me basta.

palavras não são sentimentos.

Ontem sentei com a intenção de escrever. De usar somente palavras perfeitas, que fizessem qualquer pessoa sorrir ou chorar. Um texto suave e deslizante, você nem sentiria o tempo passar enquanto as letras estivessem caminhando pelos seus olhos.

Queria elaborar uma reflexão tão profunda que deixaria Fernando Pessoa orgulhoso.

No entanto, quanto mais desejamos a perfeição, mais nos aproximamos do abismo. É o conhecido risco de exagerar, ou pior, não sair da mesmisse.

Assim foi. Começei falando sobre mim, manias, hábitos, costumes, medos. Mes-mis-se. Apaguei tudo. Angústia. Com tantas palavras e possibilidades, como conseguimos acabar escrevendo sobre a mesma coisa, do mesmo jeito? Ah, essa mania de perfeição me enlouquece.

Existem as notas perfeitas, os tons adequados, as cores puras e milhares de outros exemplos que simplesmente funcionam, emocionam e tiram o fôlego. É, é possível fazer o mesmo com as palavras. Eu sei que é. Porém não é fácil. Não à toa, os que conseguem são chamados de mestres, imortais.

Palavras são o reflexo dos  pensamentos. Mas não são os pensamentos, não são visuais ou táteis.  Sejamos racionais: palavras são símbolos gráficos com uma incrível capacidade de transbordar todas as emoções que um ser pode experimentar.

Mas palavras não são sentimentos. Será este o motivo de ser tão difícil encontrar a perfeição?

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mania de louco.

Todos os dias passo por milhares de pessoas. Em esquinas, ruas e avenidas, vejo diversos rostos, nenhum igual ao outro. Entre tantos passos e corpos em movimento, há uma vida e uma história, todas diferentes. Isso me deixa curiosa.

No que estará pensando aquele ser que passa ao meu lado?  Onde estará indo? Como será sua vida? Onde mora? Como é sua casa? Tem filhos? O que será que gosta de fazer? Não raramente me pego pensando nisso. Na realidade, observar as pessoas é quase uma mania.

Em sinais fechados, olhe para o lado. Você verá pessoas discutindo, casais trocando beijos, alguns bocejando, outros com o dedão no nariz, loucos cantarolando, amigos falando no celular, meninas arrumando o cabelo, um doido falando sozinho, uma mãe tentando acalmar o filho pequeno que chora no banco de trás e muitas coisas mais. Você pode até ver alguém que tem a mesma mania, tentando ver o que você está fazendo. O sinal abre e cada carro continua sua rota. Pra onde será que vão?

E aí, concectando uma coisa com a outra, sinto o quão importante é para nós publicitários entendermos o que se passa na cabeça do nosso público. Porque mensagens prontas e padronizadas são fáceis de fazer. Mas atingir a cada uma dessas pessoas, que possuem vidas diferentes, hábitos próprios, manias, e rotinas, isso sim é um desafio.

Mania de louco. Pensamento Publicitário. Um tanto quanto compreensível. Afinal, existe algum publicitário normal?

encontros casuais.

Vem de longe e repara. Pára! Em que pensava mesmo? Já nem lembra, não importa mais. Por dois minutos parece que o mundo gira em câmera lenta, como em um filme. Só aquela imagem parece ter movimento. É doce, leve e brilhante. Pelo menos é o que diz. Não se viam há algum tempo, mas convicção não falta para afirmar que mesmo sem reconhecer de primeira, foi uma visão encantadora. Incrível como alguém pode ter os olhos tão iluminados ao dizer uma frase.

Deveria acreditar?

Bate a timidez de um lado e a vergonha do outro. Pesados segundos de silêncio.

Tenta quebrar o gelo falando que leu o bilhete. As flores foram bem recebidas, mas provavelmente não haverá uma terceira vez. Sabe disso. A solução é apostar na sorte dos encontros casuais. Em tempos modernos  existe lugar para o destino? Dizem que nada é por acaso.

Há quanto tempo não via uma pessoa tão sem jeito pelo simples fato de estar na sua frente. Visível e perceptível. Não precisa  ter sexto sentido. É estranho não saber o que falar pra descontrair. Diz então que tem pressa (na verdade não tem), que tem alguém esperando e que o encontro foi uma ótima surpresa. Lembrou que era bom ver uma figura diferente em dias que tudo parecia confuso. Apenas lembrou. Nada falou.

“Se eu te encontrar denovo você me dá seu telefone? Você tem o meu, mas faz questão de não ligar…”

“Vamos ver se o mundo faz a gente se encontrar denovo. “

Cada um segue o seu caminho. Paciência.

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a vida e suas contrariedades.

Engraçado como a vida é cheia de pequenas contrariedades.

Quem parece ter muito, muitas vezes não tem nada. Quando ficamos quietos, dizemos tudo. Gostamos tanto de alguma coisa que aquilo até parece não significar muito. Compramos para não usar. Entristecemos sabendo que logo depois estaremos sorrindo. Conhecemos alguém para no momento seguinte já não reconhecermos a nós mesmos. Ganhamos para perder. Perdemos para ganhar.

Agora, particularmente falando, o mais estranho é sentir que em determinada hora precisamos deixar algo pra trás se quisermos seguir em frente. Como se a experiência servisse de ensinamento. E só.  Depois disso você “passa pra outra”, “segue a vida”, “vai em frente”…como quiser. Você pode até tentar fazer com que tudo permaneça igual, mas algumas coisas simplesmente vêm para ir embora.

Contraditório, não?

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demorou mas me pegou.

Foi uma longa espera.

Demorei para me decidir. Tinha medo que não fosse como eu queria, como eu pensava que era. Preconceito mesmo. Aquela opinião de que é igual a todos os outros.

Ensaiei uma vez. Não foi o suficiente. Não deu certo. Não me conquistou. Não sei bem ao certo o motivo, mas os olhos simplesmente se recusaram a brilhar. “Vai ser a mesma história de sempre”, pensei.

Passou um tempo, acho que uns bons seis meses. No entanto, insistia em me rodear das mais diversas formas: pelos amigos, jornais, sites, panfletos, televisão. Tudo me fazia lembrar sua existência.

Cada coisa tem seu tempo pra acontecer. Não seria diferente com ele.

Ontem resolvi dar uma segunda chance. Tentei denovo. Dessa vez foi diferente. Os olhos ficaram iluminados. Rolou fácil. Claro, precisei de algumas opiniões dos amigos, mas todos disseram que era uma boa escolha.

Assim fiz. Fui em frente e começei a seguir as pessoas. Alguns também estão me seguindo. Mania estranha essa. Fico imaginando uma fila de pessoas andando atrás de mim na rua. Teve uma propaganda nesse estilo, creio que de banco. Mas acho que daqui a pouco me acostumo. Gostei de escrever pra todas essas pessoas o que se passa na minha cabeça. Divertido. Esse negócio de twitter vicia mesmo.

;)

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esquartejaram minha criatividade.

Somos seres criativos: pensamos criativamente, fazemos coisas criativas, encontramos sempre um jeitinho pra tudo.  Quando a gente é criança então, é lindo. Nossos pais adoram: “olha como ela arrumou isso”. “Que bonitinha, ela escreve ao contrário”. Pois é.

Até que entramos no colégio, o início do fim. A verdadeira tragédia. Aconteceu comigo: o meu desenho e o de um outro aluno. “Betina, o mundo não é feito de uma cor só. As pessoas não são assim”.  Eu respondo  “Mas professora, eu gosto muito dessa cor, por que não pode ser?” Tinha que ter a super resposta “Porque não é”.

E começamos a escutar  “Porque não é”, “Porque não pode” e seus variantes. Por que um cartão não pode abrir para o outro lado? Por que só existe uma resposta certa?

Quando era mais nova, costumava questionar coisas assim. Mas cansada de tantas respostas iguais, parei. Pensar diferente para mim sempre foi questão de escolha, de estilo, de personalidade. O que se reflete na profissão que escolhi, onde pensar diferente é genial, é sair da zona de conforto e se arriscar. Ter um mundo de possibilidades para descobrir.

E se tudo for da mesma cor? Se o cliente quiser um cartão que abre ao contrário só pra chamar a atenção, ou que tirinhas sejam coladas fora de ordem para formar uma figura? Vai saber.

O problema, é que quando estamos ali, sentados, criando, nossos pensamentos já foram podados e a massa cinzenta já está acostumada a pensar igual. O que acontece? Quando ultrapassamos os limites somos gênios. Criativos. Inspirados. Trabalhamos duro. Mas na verdade é simples, e seria muito mais se não tivessem esquartejado minha criatividade

;)