Ele se levanta. Escova os dentes, passa uma água no rosto, se arruma e sai. Tem um sorriso que, a essa hora, se confunde com o sono. Como sempre, liga o alto-falante no volume máximo e a musiquinha inconfundível anuncia a sua presença:
“Alô criançada, alô dona de casa! É o carro do picolé que tá passando na sua rua…”.
Não demora muito para que ele comece a ouvir os primeiros gritos eufóricos:
- Olha mãe, é o carrinho do picolé! Me dá um, mãe ?
Alegre e sorridente, ele pára o carro. A mãe se aproxima.
- Quanto ta, moço?
- Um e cinqüenta, mas faço dois por dois e cinqüenta.
- Então me vê dois de uva, por favor.
…
História normal, não é mesmo? Acontece todos os dias em algum lugar do mundo. Mas tem uma coisa faltando aí, sabe o que? O PAI!
É, onde fica o coitado do pai nisso tudo? Por acaso homem não pode gostar de picolé?
Pensando nisso, acabei me questionando:
“Será que isso é porque antigamente só os homens trabalhavam, e por todas as questões históricas que isso inclui? ”
Aí, acabei me perguntando mais uma coisa:
“E nos finais de semana, como fica? Será que existe a musiquinha de final de semana?”
Acho difícil…
Levando pro lado publicitário da história, talvez os homens fossem um bom nicho de mercado de picolés. Já imaginou, um picolé elaborado especialmente para o paladar masculino? Ou, talvez, os carrinhos poderiam se adequar ao público. Um carrinho que vendesse cerveja, com várias opções de marcas?
Muita gente ia gostar heim…