sem paixão eu nada seria.

Impressionante como um filme pode mexer com tudo o que tem dentro de uma criatura. Especialmente com as mulheres. Divã é o nome dessa reviravolta. Eu diria que uma hora e meia de terapia. Não, não pode ser terapia, foi mais eficiente.  Todos os meus piores pavores ligados ao futuro estiveram estampados ali, bem na minha frente, pra eu parar, olhar e dizer: “Sua burra. Tá vendo? Tá mesmo? Anda, dá um jeito da tua vida, larga mão de ser idiota. Fala. Fala o que tu sente, não é perder tempo, não é demais. Age. Faz o que te der vontade. O que te impede? O que os outros vão pensar? Tu nunca ligou, por que ligaria agora? Ah, porque te disseram pra ligar. Foda-se. É. Foda-se mesmo. Sim, eu falo palavrão. E daí? Não gostou? Troca. ” Tá, é um pensamento muito longo pra se ter de uma vez só e vendo filme. Mas pensei cada palavrinha escrita aí. Definitivamente, vi que aquela vidinha morninha, que nada acontece, de todo o dia a mesma coisa, o mesmo beijo, do mesmo jeito, a mesma posição dos móveis… gente, isso cansa! Não, não serve pra mim. Medo total. E o doido da história é perceber que eu tava começando a ir por aí. Pára tudo. Não dá. Não sou eu. Eu preciso de paixão. Paixão me move, paixão me inspira, me dá brilho, faz de mim quem sou. Talvez por isso meu mundo sentimental seja como é, que ninguém entende. Porque eu não sei manter nada sem paixão, perde a graça, sabe?  Porque sem paixão tudo acaba. Porque sem paixão, por mim mesma fico apaixonada. E isso me basta.

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